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Da Vigilância Hierárquica ao Acompanhamento Horizontal: A Covisão Esquizodramática

 

No campo das práticas terapêuticas, as palavras não são meros rótulos técnicos; elas sustentam concepções políticas, éticas e epistêmicas sobre como se produz o cuidado e o saber. Enquanto a psicanálise tradicional e certas vertentes da própria esquizoanálise mantiveram o uso do termo supervisão para designar a apreciação do trabalho de um analista por outro, o esquizodrama de Gregorio Baremblitt opera um deslocamento conceitual e prático fundamental ao propor a covisão. A defesa da covisão em detrimento da supervisão justifica-se por razões de ordem política, epistemológica e clínica que explicitaremos abaixo.

A Ruptura com a Asfixia Hierárquica e o Olhar Panóptico

O prefixo super- remete inevitavelmente a uma posição de superioridade, verticalidade e transcendência. O "super-visor" é aquele que possui uma visão "por cima", um olhar supostamente neutro, panorâmico e detentor do Saber com "S" maiúsculo. Na prática da supervisão tradicional:

  • Reproduz-se a lógica da vigilância: O praticante relata o seu atendimento para ser corrigido, avaliado ou enquadrado nas metateorias do supervisor.

  • Institui-se uma assimetria de poder: O saber fica concentrado na figura do especialista, enquanto o supervisionado ocupa uma posição de aprendiz passivo.

A covisão (co- = junto, em parceria, em composição) desmonta essa estrutura hierárquica. Não há um olhar transcendente que julga do alto, mas uma composição imanente de olhares. Na covisão, dois ou mais cartógrafos se debruçam juntos sobre os mapas, as intensidades e os impasses de um processo klínico, reconhecendo que ninguém detém o monopólio da verdade sobre o inconsciente alheio.

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