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A Klínica Esquizodramática: Da Inclinação Cênica à Desterritorialização do Corpo

 

A opção teórica e prática do esquizodrama — dispositivo clínico desenvolvido a partir da esquizoanálise de Gilles Deleuze e Félix Guattari e sistematizado por Gregorio Baremblitt — em grafar "klínica" com K expressa uma ruptura ético-política e conceitual profunda com a tradição médica e psicanalítica ocidental.

O Klínamen, o desvio, e afirmação do desejo.

Baremblitt privilegia o klínamen dos atomistas gregos em detrimento do klíne associado à psicanálise porque o primeiro afirma a potência do desvio, da clinagem e da criação. O klínamen é uma pequena inclinação, um desvio imprevisível na trajetória dos átomos, capaz de produzir encontros e composições novas. Já o klíne remete à ideia de leito, inclinação e repouso, evocando uma clínica que pode tender à adaptação e à interpretação do sujeito a partir de formas já constituídas.

Na perspectiva da Esquizoanálise e do Esquizodrama, trata-se de deslocar a clínica do leito para o movimento, fazendo do desvio não um erro, mas uma força de invenção de novos modos de existência.

 

O que devém diferente?

  • Da passividade para a potência cênica: O leito deixa de ser o local do repouso patológico e torna-se o palco de dramatização (drama), onde as forças do inconsciente não são apenas interpretadas, mas encenadas e habitadas.

  • Da diagnose para a cartografia: A klínica com K recusa o enquadramento no sintoma estático ou na norma diagnóstica. Em vez de investigar "o que o sintoma significa", a klínica investiga como o desejo funciona, que conexões ele produz e como libertá-lo dos bloqueios institucionais e subjetivos.

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